Wesley resume o Brasil pós-Temer: colaboradores presos, delatados soltos

Wesley resume o Brasil pós-Temer: colaboradores presos, delatados soltos

O empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, afirmou nesta quarta-feira, no início do depoimento na CPI mista que investiga operações feitas pelo grupo J&F, que não se arrepende de ter colaborado com a Justiça brasileira, mas avisou que iria permanecer em silêncio durante o interrogatório, destacando que delatores estão presos e delatados soltos. Ele alegou estar preso injustificadamente, sofrendo de solidão e medo. Para ele, as festejadas delações de outros momentos se tornaram um ato de alto risco para quem decide colaborar com a justiça. Os empresários foram detidos preventivamente na Operação Tendão de Aquiles por suposta prática do crime de insider trading, acusados de terem feito transações com dólares às vésperas da divulgação da delação, com o objetivo de lucrar com informações privilegiadas no mercado financeiro.

No pedido enviado a Fachin, Ataídes de Oliveira pede ainda que o acordo de Ricardo Saud, executivo da JBS, também seja rescindido. "Não tínhamos noção do quanto isso afetaria a nossa vida, a de nossa família e a de nossos filhos". Foi um processo de profunda transformação pessoal e empresarial.

Em seguida, ele se queixou de solidão, medo e apreensão. Ele descreveu o processo de delação premiada como uma decisão "difícil e solitária" e classificou a reviravolta dos benefícios que obteve com a colaboração como um "retrocesso". "Na condição que me encontro, descobri que o processo é imprevisível e inseguro".

As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho, mas como ele (o país) não gostou do que viu, o resultado tem sido este: colaboradores presos e delatados soltos. Aos questionados e provocações direcionadas a ele, Wesley respondeu apenas: "Com todo respeito, seguirei orientações dos advogados e me manterei em silêncio". Jamais descumpri o acordo de colaboração celebrado com o Ministério Público Federal. "Segundo os termos do acordo de colaboração premiada, os depoentes não estavam autorizados, sob o prisma negocial do mesmo acordo, a permanecer em silêncio ou recusarem-se a responder às perguntas da comissão", observa o presidente da CPMI. "Tão logo essa situação seja resolvida, com autorização expressa da PGR, eu me comprometo a prestar todos e quaisquer esclarecimentos", disse. Ele reclamou, porém, que delatores como ele estão sendo "punidos e perseguidos pelas verdades que disseram".

Apesar da expectativa sobre sua fala, ao ser questionado pelo presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o delator afirmou que não responderia perguntas de deputados e senadores.

No dia 31 de outubro, Ricardo Saud também se manteve em silêncio durante a sessão da CPI.

- Eles não podem dizer a verdade porque no dia que disserem a verdade as delações serão anuladas- disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

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