Asteroide detectado em outubro é visitante de outro sistema solar

Asteroide detectado em outubro é visitante de outro sistema solar

Segundo um artigo publicado pela revista Nature, os investigadores colocaram incialmente em causa a proveniência do objeto. E varia muito em brilho: "por um fator de 10 como gira em seu eixo a cada 7,3 horas".

A presença de um objeto não identificado que atravessava nosso sistema solar recentemente provocou um apelo à ação de observatórios em todo o mundo.

Um misterioso objeto rochoso e alongado detectado em outubro provém de outro sistema solar, uma observação sem precedentes que foi confirmada nesta segunda-feira (21/11) pelos astrônomos.

Oumunua, nome havaiano que significa "mensageiro de longe que chega primeiro", foi detetado a passar no sistema solar e "junto" à Terra a 19 de outubro deste ano pelo investigador Rob Weryk, do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawai, com uma velocidade e uma trajetória que indicavam, nos primeiros estudos, ter origem externa ao nosso sistema planetário.

Com base nos dados recolhidos, nomeadamente da trajectória e da velocidade, os cientistas concluiram que veio de fora do Sistema Solar.

"Nós também descobrimos que ele tem uma cor vermelha escura, semelhante aos objetos no sistema solar externo, e confirmamos que é completamente inerte, sem o menor vislumbre de poeira ao seu redor", afirmou a astrônoma Karen Meech, do Instituto de Astronomia no Havaí, em outro comunicado. Segundo ela, o Oumuamua é composto por pedras e metais.

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"Durante décadas, teorizámos que existiam objetos assim e agora, pela primeira vez, temos provas diretas de que existem", congratula-se Thomas Zurbuchen, da NASA.

"Esta descoberta histórica está a abrir uma nova janela para estudarmos a formação de sistemas solares além do nosso", sublinha o astrónomo.

Em alguns aspectos, o Oumuamua se parece com objetos que conhecemos bem na Terra. Mas não tem nem água nem gelo, e sua superfície ficou avermelhada pelos efeitos das radiações cósmicas durante centenas de milhões de anos.

"Esta variação excecionalmente grande no brilho significa que o objeto é altamente alongado: cerca de dez vezes, desde que seja largo, com uma forma complexa e enrolada", disse Meech à NASA. Dois telescópios espaciais da Nasa, o Hubble e o Spitzer, o seguem esta semana. Atualmente, ele está a cerca de 200 milhões de quilômetros do nosso planeta, se afastando de nós a aproximadamente 137.900 km/h. No dia 1 de novembro passou na órbita de Marte e passará pela de Júpiter em maio de 2018. Ele vai para a constelação da Pegasus depois de sair do nosso sistema solar.

As observações com os grandes telescópios terrestres continuarão até que o asteroide se torne praticamente indetectável, depois de meados de dezembro.

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