PF prende Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil

PF prende Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil

O presidente do Comité Olímpico do Brasil e o homem no centro dos Jogos no Rio de Janeiro, Carlos Nuzman, foi esta quinta-feira detido pela polícia federal brasileira por suspeitas de ter comprado pelo menos um voto ao Comité Olímpico Internacional, que decide onde se realiza a competição.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a prisão preventiva foi decretada por conta de uma tentativa de ocultação de bens por parte do dirigente. Também é apontado um aumento de patrimônio de Nuzman de mais de 457% entre os anos de 2006 e 2016.

Entre os alvos da Operação estão Carlos Arthur Nuzman e o diretor-geral de operações do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, que também foi preso. Ele é suspeito de participação em um esquema que teria comprado a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.

"Existe uma situação de ocultação dos recursos em poder do representado e em outros países, o que dificulta o rastreio desses recursos e consequente recomposição dos danos ao erário". Nuzman é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e também de ter escondido provas e tentado atrapalhar as investigações.

O pedido de prisão temporária foi decretado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Segundo documentos fornecidos pelo Tesouro americano à Justiça francesa, revelados pelo jornal Le Monde em março de 2017, uma empresa (Matlock Capital Group) que gerenciava os interesses do empresário brasileiro, Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, o Rei Arthur, depositou três dias antes da votação 1,5 milhão de dólares a uma companhia pertencente a Papa Massata Diack, filho do então chefe da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e membro do COI Lamine Diack. Nuzman é presidente do COB há 22 anos, e a entidade afirmou que não vai soltar nota nem comunicado oficial, apenas advogados falarão - e isso deve acontecer só depois dos depoimentos. "Com as apreensões, foi comprovado que Nuzman e Gryner tiveram diálogos bem francos e diretos com Diack, falando de valores, e nós vamos provar que tiveram mais valores".

Para procuradores do MPF, a prisão temporária de Nuzman e Gryner é imprescindível não só como garantia de ordem pública, "como para permitir bloquear o patrimônio, além de impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória".

A ação é um desdobramento da Unfair Play, uma menção a jogo sujo e que é mais uma etapa da Lava Jato no Rio de Janeiro. "É uma medida dura e não é usual dentro do devido processo legal", afirmou Nélio Machado.

O procurador Rodrigo Timóteo disse que a operação pode ter movimentado bem mais que os US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões) que o COB teria repassado ao senegalês Papa Diack como propina.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) rejeita qualquer negociação neste momento para resgatar o Comitê Organizador dos Jogos do Rio-2016 que deixou dívidas avaliadas em R$ 132 milhões.

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