Imprensa internacional também já reagiu à acusação de Sócrates

Imprensa internacional também já reagiu à acusação de Sócrates

Os advogados de José Sócrates, João Araújo e Pedro Delille, disseram à Agência Lusa que tinham apresentado um recurso para "a não continuação do juiz neste processo", lembrando que já anteriormente tinham feito um pedido de afastamento do juiz.

"O senhor juiz Carlos Alexandre não foi um juiz sorteado para este processo".

Ou seja, implicitamente, os advogados de Sócrates acusam o juiz Carlos Alexandre de não ter sido "isento, competente, honesto e imparcial" relativamente ao processo da "Operação Marquês" que desembocou hoje na dedução de uma acusação contra 28 arguidos, dos quais 19 pessoas e nove empresas.

Nem o socialista Sócrates nem seus advogados estavam disponíveis para comentar, mas ele negou qualquer irregularidade em muitas ocasiões, afirmando que as acusações têm motivações políticas.

O Ministério Público acusou o antigo primeiro-ministro José Sócrates de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e três crimes de fraude fiscal qualificada e Carlos Santos Silva por corrupção passiva de titular de cargo político, corrupção ativa de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documento, fraude fiscal e fraude fiscal qualificada.

Um indiciamento de mais de 4 mil páginas emitido após um inquérito de quatro anos acusa Sócrates de desempenhar um papel crucial e de receber milhões de euros em um esquema envolvendo os ex-dirigentes do império bancário Espírito Santo e da Portugal Telecom, maior operadora de telecomunicações do país.

Ricardo Salgado está acusado de corrupção ativa de titular de cargo político, corrupção ativa, branqueamento de capitais, abuso de confiança, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada, enquanto o antigo presidente da PT Zeinal Bava foi acusado por corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada.

Juntamente com os arguidos Ricardo Salgado, José Paulo Pinto de Sousa e Helder Bataglia, alega o MP que Sócrates antes de março de 2006 "engendrou um plano nos termos do qual recorreria à utilização de contas bancárias sediadas na Suíça" e tituladas por entidades offshore, para ocultar a origem do dinheiro.

João Araújo disse mesmo que a divulgação da acusação acaba por ser boa para José Sócrates, porque assim fica "fixada a versão do Ministério Público", que "já não pode ir ajustando a sua narrativa".

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