Venezuela diz que EUA querem provocar "mudança de regime pela força"

Venezuela diz que EUA querem provocar

Amanhã (19), na Assembleia Geral da ONU, Temer será o primeiro, dentre os líderes mundiais, a discursar, seguindo a tradição mantida desde 1947, quando o ministro das Relações Exteriores do Brasil Oswaldo Aranha foi o primeiro a presidir o encontro.

O comentário acontece exatamente um ano depois do último pronunciamento de Temer na conferência mundial. Os líderes latino-americanos convidados ao jantar compartilham do rechaço ao regime de Maduro, mas discordam no tom. Trump também disse que agradecia aos presentes por "condenarem" o regime de Maduro na Venezuela.

O presidente Michel Temer (PMDB) pareceu não querer se comprometer quanto à questão venezuelana, apesar de endossar a postura norte-americana de oposição ao governo de Nicolás Maduro. "O Brasil tem feito o possível para ajudar humanitariamente, acabamos mandando remédios, medicamentos para a Venezuela", mas também há "a questão política, que cabe ao povo venezuelano".

"Queremos que seja restaurada a democracia e a liberdade na Venezuela, e queremos isso logo", disse a jornalistas que acompanhavam o evento.

Donald Trump manteve o tom duro nas críticas que vem fazendo ao governo venezuelano.

"Enquanto ele [Trump] amassava a sua fortuna nos últimos anos, no sistema capitalista, nós estávamos construindo uma revolução democrática, constitucional, socialista que se fundamenta em eleições", disse. "Os venezuelanos estão passando fome, e seu país está afundando". “As pessoas querem que lá se estabeleça a democracia, não querem uma intervenção externa, naturalmente.

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, também disse que o caminho a ser seguido é diplomático.

Os EUA aplicaram uma série de sanções contra a Venezuela para punir o governo de Maduro, o que configura em bloqueios econômicos e diplomáticos que prejudicam o país em negociações bilaterais com outros países. A rodada mais dura ocorreu no fim de agosto, quando Trump proibiu que cidadãos e empresas dos EUA comprem títulos da dívida pública venezuelana e da petroleira estatal PDVSA. Os aliados regionais ficaram especialmente incomodados com recentes declarações em que o presidente norte-americano punha sobre a mesa a possibilidade de uma intervenção militar.

O comentário gerou reação imediata do Mercosul, que repudiou o emprego de violência. "Falou-se em sanções, mas as sanções são sanções, digamos, verbais, são palavras democráticas, são palavras diplomáticas", disse Temer. Na ocasião, os diplomatas condenaram a ruptura da ordem democrática na Venezuela e desconheceram a Assembleia Constituinte convocada através de referendo pelo presidente Maduro. "Temos plena consciência de que o acolhimento de refugiados é uma responsabilidade compartilhada", ressaltou.

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