Polícia Federal prende o empresário Wesley Batista em São Paulo

Polícia Federal prende o empresário Wesley Batista em São Paulo

Um dia após a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, delatores da JBS, a Polícia Federal deflagrou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos executivos.

A CVM, que regula o mercado de capitais, tem sua própria investigação em andamento e está próxima de acusar os irmãos Batista por manipulação de mercado.

A Tendão de Aquiles recebeu compartilhamento de provas da Operação Lama Asfáltica - investigação que apura esquema de lavagem de dinheiro e de fraudes em licitações no estado do Mato Grosso do Sul.

Ainda segundo o juiz Gonçalves, há elementos no processo que mostram que, em episódios anteriores, os irmãos Batista "não teriam se furtado a utilizar a exponencial influência que detinham para atender seus interesses".

A quarta fase da operação do Mato Grosso do Sul flagrou conversas entre Joesley e Miller.

Ele é investigado pelo uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro com a divulgação da delação premiada de executivos da empresa.

Wesley foi preso em casa, em São Paulo.

Preso desde o último domingo (10/9), quando se entregou à Polícia Federal (PF), o empresário Joesley Batista garantiu ainda gravações que não foram entregues.

Mas evidências adicionais entregues posteriormente a promotores incluíram uma fita que mostrava que Batista tinha sido ajudado pelo promotor federal Marcelo Miller na elaboração do acordo e dissimulação de certos crimes.

Segundo a PF, os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime de uso indevido de informação privilegiada, com penas de 1 a 5 anos de reclusão, e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida. O prazo pode ser prorrogado ou a prisão transformada em preventiva, que tem tempo indeterminado.

Na decisão que pediu a prisão dos executivos, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há "múltiplos os indícios, por eles mesmos confessados, de que integram organização voltada à prática sistemática de delitos contra a administração pública e lavagem de dinheiro". "É injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos".

"O que impressiona a todos é que esses crimes são gravíssimos", disse o delegado, ressaltando que os delitos foram praticados pelos dois empresários que já haviam se comprometido com a Justiça a colaborar e não cometer crimes.

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