Ministro decreta prisão de delatores da JBS

Ministro decreta prisão de delatores da JBS

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou a prisão dos executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, que, supostamente, ocultaram informação da Justiça no acordo de delação premiada que fundamentou a acusação de corrupção contra o presidente Michel Temer.

O advogado do ex-procurador da República Marcelo Miller, André Perecmanis, afirmou que o pedido de prisão de seu cliente, apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, "causa espécie e indignação", mas ressaltou que ainda não havia sido informado oficialmente pela imprensa.

As ordens de prisão, que tem validade de cinco dias, ocorrem após todos os envolvidos prestarem depoimentos para esclarecer um áudio enviado, provavelmente por engano, para as autoridades.

Entretanto, existe uma grande possibilidade de que o procurador-geral da República se manifeste até mesmo favoravelmente a que seja expedido um mandado de prisão contra o empresário Joesley Batista, segundo o que teria dito um dos interlocutores de Janot.

Segundo reportagem da Globo, os advogados de Joesley e Saud pediram para serem ouvidos por Fachin antes da decisão do ministro. Na nota, o ex-procurador afirma que "continua à disposição, como sempre esteve, para prestar qualquer esclarecimento necessário e auxiliar a investigação no restabelecimento da verdade". Nela, Joesley e Saud apontam irregularidades no processo.

O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril.

- Está provado documentalmente que ele (Miller) estava afastado do grupo da Lava Jato desde junho de 2016. Porém, o Relator da Lava-Jato no STF não ouviu os delatores ao determinar suas prisões.

Os advogados pedem a intimação dos dois.

De acordo com a defesa dos empresários, uma vez que o pedido de prisão se tornou público, "não se justifica mais a imposição de um contraditório diferido", quando o juiz toma a decisão antes de ouvir uma das partes diante, por exemplo, da necessidade de produção de provas urgentes. Colocaram à disposição os passaportes e se prontificam a comparecer a qualquer audiência que forem convocados para depor.

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