Miller diz que "jamais" fez "jogo duplo"

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O ex-procurador da República Marcelo Miller afirmou neste domingo (10) que jamais fez "jogo duplo" entre os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud e o Ministério Público Federal, com quem os executivos da J&F firmaram acordo de delação premiada em abril passado.

O pedido está sob sigilo - nem a Procuradoria-Geral da República (PGR) nem o Supremo confirmam que foi enviado.

"Conforme orientação do próprio Supremo Tribunal Federal, faleceria competência não apenas à Corte para apreciar o pedido de prisão em tela, como até mesmo ao doutor Procurador-Geral da República", diz o texto da petição. Já Miller teria atuado em benefício dos executivos da JBS enquanto ainda exercia o cargo de procurador.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ainda a prisão de Joesley Batista e de Ricardo Saud, ex-diretor da J&F, holding controladora da JBS. Joesley admitiu que se encontrou com Miller ainda em fevereiro, mas ele teria dito que já tinha pedido exoneração do Ministério Público.

Teve uma carreira de quase 20 anos de total retidão e compromisso com o interesse público e as instituições nas quais trabalhou. Afirmaram que não entregaram os áudios por acidente, mas para demonstrar transparência.

Marcello Miller fez parte do grupo de trabalho da Lava Jato na Procuradoria em Brasília de maio de 2015 a julho de 2016. Depois, foi para Procuradoria no Rio de Janeiro, mas continuou atuando como colaborador da Lava Jato. Menos de uma semana depois, já participava de reuniões como advogado de um escritório que atuou nas negociações do acordo de leniência da J&F. Deixou a Procuradoria somente por volta de 1 hora deste sábado. "O crime do art. 288 do Código Penal (associação criminosa que substituiu o delito de quadrilha ou bando), para sua configuração, exige estabilidade e permanência, elementos que, por ora, diante do que trouxe a este pedido o MPF, não se mostram presentes", escreveu Fachin na decisão. "Porque esse pedido de prisão antes do depoimento?" Pra que o depoimento, então?

"Dez horas de depoimento para já ter um pedido [de prisão] pronto?" Logo após o término do depoimento de Marcelo Miller à PGR, os advogados André Perecmanis e Paulo Klein, responsáveis pela defesa do ex-procurador voltaram a criticar o pedido de prisão expedido pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, e disseram estranha que tenha sido apresentado no mesmo dia do depoimento. Mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação Carne Fraca para investigar um suposto esquema de propinas envolvendo funcionários do Ministério da Agricultura e irregularidades cometidas por empresas do setor de carnes, incluindo a JBS.

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