Lula e Gilberto Carvalho são denunciados por corrupção passiva — Operação Zelotes

Lula e Gilberto Carvalho são denunciados por corrupção passiva — Operação Zelotes

Outros cinco investigados também foram denunciados pelos procuradores por terem beneficiados montadoras de veículos por meio da edição de medidas provisórias.

Ex-presidente, que já acumula nove denúncias desde 2016, rechaça acusação.O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais uma vez denunciado nesta segunda-feira (11/09) por corrupção passiva. Os recursos também foram usados para comprar o cancelamento de um débito de R$ 265 milhões em recurso no Carf.

Além de Lula e Carvalho, também foram denunciados: José Ricardo da Silva (ex-conselheiro do Conselho Administrativo da Receita Federal), Alexandre Paes dos Santos (lobista) e os empresários Paulo Arantes Ferraz, Mauro Marcondes Machado e Carlos Alberto de Oliveira Andrade.

Segundo os investigadores, os valores eram pagos pela montadora Caoa, mas distribuídos pela empresa M&M, de propriedade de Mauro Marcondes.

Além de Lula e Carvalho, são processados os donos de duas montadoras - Caoa e MMC, ambas de Goiás, que fabricam as marcas Hyundai e Mitsubishi, respectivamente - e três responsáveis por empresas que intermediaram a propina e fizeram um "lobby" ilegal junto à Presidência, segundo o MPF.

Em março de 2018, na CPI do Carf, o deputado deixou o delegado Marlon Cajado, que indiciou Lula pela MP editada por FHC, de saia justas: é que ele não conseguiu explicar por qual motivo havia indiciado Lula e jamais cogitado ter chamado FHC ou os deputados que aprovaram a reedição da medida para depor.

A defesa de José Ricardo da Silva informou, em nota, que só vai se pronunciar depois de citada, caso a denúncia seja aceita pela Justiça e aberta uma ação penal. Entre as provas mencionadas pelo MPF estão manuscritos, e-mails e atas de reuniões apreendidas com os envolvidos.

Em um manuscrito apreendido pelo MPF com o lobista Alexandre Paes, conforme aponta o jornal O Estado de S. Paulo, havia o registro: "Café: Gilberto Carvalho". Segundo a procuradoria, os participantes do esquema prometeram 6 milhões de reais para Lula e Carvalho em troca de benefícios para o setor. Os procuradores afirmam que a edição e a aprovação da MP no Congresso envolveram a promessa de pagamentos de R$ 33 milhões em propina, tanto a intermediários do esquema quanto a agentes políticos.

Essa atipicidade foi, inclusive, objeto de questionamento do então subchefe de análise e acompanhamento de políticas governamentais da Casa Civil. "Mais uma vez, membros do Ministério Público Federal abusam de suas prerrogativas legais para tentar constranger o ex-presidente Lula e manipulam o sistema judicial brasileiro para promover uma perseguição política que não pode mais ser disfarçada", afirmou o instituto.

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