Joesley almoçou com Marcelo Miller 15 dias antes de gravar Temer

Joesley almoçou com Marcelo Miller 15 dias antes de gravar Temer

O empresário e mais dois delatores da JBS, Ricardo Saud e Francisco de Assis, prestam depoimento a subprocuradora-geral da República Cláudia Marques na manhã desta quinta-feira.

O áudio foi usado pela Procuradoria-Geral da República para embasar, junto com outras provas, a primeira denúncia oferecida contra Temer, por corrupção passiva, e que já foi rejeitada, durante votação ocorrida no plenário da Câmara, no dia 2 de agosto.

O depoimento desta quinta também atende a pedido da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, de investigar falas dos delatores envolvendo ministros da Corte.

No áudio, Saud e Joesley falam sobre uma tentativa de gravar uma conversa do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para conseguir provas sobre supostas irregularidades cometidas por ministros do STF.

Entretanto, existe uma grande possibilidade de que o procurador-geral da República se manifeste até mesmo favoravelmente a que seja expedido um mandado de prisão contra o empresário Joesley Batista, segundo o que teria dito um dos interlocutores de Janot. O conteúdo das gravações pode resultar na suspensão do acordo de colaboração premiada firmado entre os executivos da JBS e o Ministério Público. Os comentários foram feitos após depoimento de Miller à Procuradoria Regional da República da 2ª região, na madrugada de sábado. O pedido do procurador-geral deve ser encaminhado a Fachin ainda nesta sexta-feira. Não é possível fornecer detalhes em razão de sigilo. "O empresário e os executivos continuam à disposição para cooperar com a Justiça", diz a nota. Além disso, afirmou que tomou conhecimento do pedido pela imprensa "e estranha que tenha sido apresentado no mesmo dia em que estava esclarecendo todos os fatos ao Ministério Público". Investigadores tomam nesta sexta-feira o depoimento do ex-procurador Marcello Miller, cujo nome aparece nas conversas entre Joesley Batista e Ricardo Saud divulgadas nesta semana. Miller, de acordo com Joesley, teria se apresentado como advogado.

Janot disse ainda que os benefícios dados aos delatores, que ganharam imunidade com o acordo, podem ser suspensos e o acordo cancelado.

A conversa em que Joesley e Saud falam sobre a ajuda que Miller estaria dando ao grupo foi gravada em março, quando ele ainda era integrante do Ministério Público. Não conhece, portanto, uma figura que possa existir de braço direito do procurador-geral na Lava Jato.

Caso Fachin autorize as prisões, o acordo de delação premiada entre a JBS e a PGR deixará de valer.

Segundo Perecmanis, Miller respeitou a quarentena entre se desligar da Procuradoria e assumir cargo em escritório de advocacia que auxiliou na delação.

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