BCE. Instabilidade do euro adia decisão sobre programa de estímulos

BCE. Instabilidade do euro adia decisão sobre programa de estímulos

Os mercados acionários europeus fecharam perto da estabilidade nesta sexta-feira, com o fortalecimento do euro diminuindo o apetite pelas ações regionais mas com o possível corte do estímulo pelo Banco Central Europeu impulsionando os bancos.

"O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos", refere o comunicado divulgado em Frankfurt.

Em março de 2016, o BCE fixou as taxas de juro no mínimo histórico de 0% e desde então tem mantido este nível inalterado, ao mesmo tempo que foi aumentando a compra de dívida soberana até valores próximos dos 60 mil milhões de euros mensais. O programa de 2,3 biliões de euros, conhecida como "quantitative easing", está montado para vigorar até dezembro. Segundo informações da agência Reuters, confirmadas por duas fontes próximas da instituição, o BCE vai reduzir a compra de ativos em janeiro e tem agora quatro cenários em cima da mesa, com diferentes nuances sobre o timing e montantes.

"Este outono vamos decidir sobre a calibragem dos nossos intrumentos de política para além do fim do ano", disse o presidente do BCE no final de uma reunião do conselho de governadores do BCE em Frankfurt. "Queremos ver o trabalho dos comités", afirmou, sem adiantar se foram discutidas quaisquer alterações à regras.

Draghi referiu no entanto que a decisão da instituição "terá em conta a evolução expectável da inflação", uma vez que os preços do consumidor se mantêm abaixo do objetivo do BCE de um valor abaixo mas próximo dos 2%.

Desde o início do ano, o euro valorizou 13% face ao dólar, numa tendência que se tem vindo a intensificar, especialmente na última semana. E "se necessário, estamos prontos para aumentar o nosso programa de compra de ativos em termos de tamanho e/ou duração", afirmou Mario Draghi.

Na quinta-feira, o euro subiu e ultrapassou 1,20 dólares após as declarações de Draghi, chegando a 1,2060 dólares, mas depois recuou.

O organismo europeu também reduziu suas previsões de inflação nesse mesmo conjunto para o biênio 2018-2019. A segunda estimativa do PIB (Produto Interno Bruto) da região mostrou crescimento à taxa anualizada de 2,3% no segundo trimestre, a maior expansão desde o primeiro trimestre de 2011. Em Lisboa, o índice PSI-20 teve baixa de 1,08%, aos 5.074,49 pontos.

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