Google despede funcionário que escreveu carta contra diversidade de gênero

Google despede funcionário que escreveu carta contra diversidade de gênero

"Um dos aspectos da mensagem que mais me perturbaram profundamente é seu preconceito implícito, ao sugerir que a maioria das mulheres, ou dos homens, sente, ou age, de uma certa maneira", disse, em um memorando interno obtido pela AFP, o vice-presidente de engenharia do Google, Ari Balogh. Julian Assange, fundador do site de denúncias Wikileaks, é um dos exemplos.

No entanto, para Assange, "censura é para perdedores" e, apesar do discurso conservador do engenheiro, escreveu para ele uma oferta de trabalho na rede social.

Ele diz, ainda, que a "distribuição de preferências e habilidades entre homens e mulheres difere, em parte, por causas biológicas e essas diferenças podem explicar por que não há uma representação igualitária de mulheres em cargos técnicos e de lideranças". "Temos de parar de assumir que diferenças entre os gêneros implicam sexismo", escreveu o engenheiro, num manifesto interno divulgado no fim de semana pelo site Gizmodo.

De acordo com o Google, o engenheiro "violou o Código de Conduta" da empresa por "promover estereótipos de gênero", mas a empresa não quis fazer comentários públicos sobre a demissão.

O engenheiro acrescenta que, geralmente, as mulheres "preferem trabalhos em áreas sociais e artísticas", enquanto há "mais homens que se interessam por programação de computadores".

Após a publicação do material, a diretora de diversidade da empresa, Danielle Brown, afirmou que o documento "não representa o ponto de vista que ela ou a companhia aprovam, promovem e incentivam" e que a "diversidade e a inclusão são parte fundamental de nossos valores".

Mulheres e homens merecem respeito.

O CEO do Google agora terá um desafio e tanto pela frente: equilibrar o direito de expressão dos funcionários com as diretrizes defendidas pela empresa, que incluem a diversidade. Assange, que se encontra exilado na embaixada do Equador em Londres, ofereceu emprego ao funcionário despedido, condenando a decisão da Google.

Assim, a Google agiu prontamente a despedir o funcionário. "Sugerir que um grupo dos nossos colegas possui características biológicas que os torna menos adequados para esse trabalho é algo ofensivo e não é aceitável", afirmou o executivo em seu texto, intitulado "Our Words Matter" ("Nossas Palavras Importam", em tradução livre).

Segundo a imprensa americana, o texto de Damore causou furor dentro da empresa e foi criticado como um amontoado de estereótipos sexistas por muitos funcionários em fóruns internos. O engenheiro disse ainda que está a explorar "os mecanismos legais possíveis" para recorrer da decisão e que já apresentou uma acusação ao Conselho Nacional de Relações Laborais dos Estados Unidos.

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