Adesão à greve da Autoeuropa foi de 41%

Adesão à greve da Autoeuropa foi de 41%

"O T-Roc foi atribuído em exclusivo à fabrica de Palmela, e todo o volume de encomendas previsto deverá ser aí produzido", mantém a administração da empresa, em resposta escrita ao PÚBLICO, quando questionada sobre a hipótese de deslocalização da produção do novo modelo da VW para outra unidade do grupo alemão.

As propostas da administração da empresa chegaram a ser aceites pela comissão de trabalhadores, mas o pré-acordo acabou por ser reprovado pelos funcionários quando estes se reuniram em plenário, expondo uma fratura nas estruturas de representação dos trabalhadores.

A candidata centrista à Câmara de Lisboa, que interrompeu uma iniciativa de campanha, no Lumiar, para se pronunciar sobre o que acontece na fábrica de Palmela, não desperdiçou a oportunidade de culpabilizar a esquerda pela histórica greve numa empresa que tem sido o principal motor das exportações na última década.

"Na Autoeuropa o trabalho efetuado aos sábados, domingos e feriados foi sempre considerado como trabalho extraordinário e pago como tal".

Os trabalhadores da empresa estão em greve desde terça-feira à noite. A paralisação está a ser cumprida esta quarta-feira e a fábrica está parada.

Apesar da greve de hoje, que obrigou a uma paragem da produção, a administração da Autoeuropa só deve retomar o processo negocial após a realização das eleições para a nova Comissão de Trabalhadores, marcadas para 03 de outubro, seguindo a tradição de privilegiar as negociações com os representantes eleitos pelos trabalhadores. "O que importa é isto: uma empresa que produz carros esteve 24 horas sem que nenhum automóvel saísse das suas linhas de produção".

António Chora, numa entrevista publicada na edição de hoje do Negócios, acusa o PCP de estar por detrás da greve para ganhar margem de manobra nas negociações orçamentais como o Governo. O sindicato está disposto a discutir qualquer proposta desde que vá de encontro ao que os trabalhadores sempre reivindicaram: "a conciliação do trabalho com a vida familiar", disse à TVI24 um dirigente sindical.

Confrontado pelo PÚBLICO com estas declarações, Eduardo Florindo escusou-se "a entrar em pormenores e detalhes, muito menos em discussões com o antigo coordenador", para frisar um aspecto: "Não estamos contra o trabalho ao sábado ou ao domingo".

Como está escrito na resolução aprovada nos dois plenários realizados ontem, que envolveram cerca de 3000 trabalhadores, é clara na exigência: "Afirmamos de forma inequívoca a nossa rejeição a todo o tipo de chantagem que tem sido exercida por parte da administração, com o propósito de agravar as nossas condições de trabalho, através da pretensa alteração aos horários de trabalho". Estamos contra sermos obrigados a trabalhar ao sábado.

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