Ministério Público suspeita de favorecimento na concessão de créditos — CGD

Ministério Público suspeita de favorecimento na concessão de créditos — CGD

A comissão de inquérito aos créditos e gestão da Caixa Geral de Depósitos rejeitou, esta terça-feira, um requerimento do PSD para suspender os trabalhos até serem conhecidas decisões judiciais que se aguardam, com o CDS a acompanhar os sociais-democratas.

Antes da reunião, Hugo Soares havia já falado aos jornalistas e referiu-se às notícias de segunda-feira que dão conta que o Ministério Público suspeita de crime de gestão danosa na CGD por haver créditos por pagar que não foram registados como imparidades, o que pode ser um ato deliberado, segundo uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa enviada à comissão parlamentar de inquérito sobre a recapitalização do banco público.

E concretizou: "É atirar areia para os olhos e empurrar com a barriga para a frente".

"O grupo parlamentar do PSD queria lançar um apelo veemente, firme, aos demais partidos, sobretudo aos partidos da esquerda, PS, PCP e BE, para que assumam a sua responsabilidade que é o de levarmos esta comissão parlamentar de inquérito até ao fim", defendeu.

Caberá ao Banco de Portugal, regulador financeiro, liderado por Carlos Costa - que integrou a administração da Caixa, até 2006 - fornecer ao Ministério Público mais documentação para uma eventual formalização da acusação.

"Encerrar esta comissão de inquérito sem que haja uma decisão final dos tribunais é a negação do exercício último do parlamento e com esta atitude não vamos mesmo pactuar", disse.

O documento diz ainda que "suspeita que a Caixa tem vindo a acumular, desde pelo menos da década de 2000, um conjunto de negócios consubstanciados em concessões de crédito, sem que as mesmas se revelassem colaterizadas por garantias bancárias adequadas", acrescentando ainda que houve "uma deficiente análise de risco" e "negligência na observância dos níveis prudenciais adequados" por parte da gestão.

Para o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, as eventuais imparidades não declaradas na Caixa Geral de Depósitos (CGD) no "passado" devem ser apuradas e investigadas, "se houver de facto ocultação de informação".

Na semana passada, foi apresentado o relatório preliminar da comissão de inquérito que afasta a existência de "pressões" da tutela, o acionista Estado, na concessão de crédito, mas admite "erros de avaliação" sobre "determinados créditos".

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